Penso, logo escrevo.


12.8.2009


O MEDO

O medo precede o prazer

Como o ódio receia a paixão

Viver dá medo

Empresta segredos

Aluga desejos

Inflama e instiga o novo.

 

Sozinho, ele intenso

Sem limites, estribeiras e consciência

Paralisa a boca trêmula

E os músculos lacrimejantes

O branco das palavras escurece a vista

O susto, o irracional, as vozes do pensamento.

 

O tempo e o presente

A realidade e a fantasia

O agora insistente.

 

O medo de ver e sentir-se gente

A angústia, o engasgo e a saliva

O peso e a desmedida

O ontem incoerente.

 

Curtos e confusos

Amanhãs incertos

Com a pele sensível

À brisa e à folha

Numa rotina de desencontros

Com o prazer supremo da vida.

Escrito por ricardo às 17h15
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14.5.2009


ASSIM

Movido pelo prazer, escorrego na dor

E vivo sentindo o oco

Da existência pela busca sem essência

Sem causa, sem consequência

No reflexo, disfarçado de mim

Cometo suicídio gradual e involuntário diariamente

Deixando me levar por palavras vazias

Mal colocadas e mal paridas

Num contexto ultrapassado

Sem idéias coerentes

Flácidas e vulneráveis

Efêmeras e sem R.G.

Pra confirmar que lá na frente

Só existirá o esquecimento

Dos tempos sombrios

E da falta de nexo

Nos prazeres que sentimos hoje.

Escrito por ricardo às 15h06
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SE DÚVIDA MATASSE

Talvez exagere na dose

Talvez o exagero seja o limite.

Talvez o limite seja a vida

Talvez a vida seja muito, pouco.

Talvez tudo esteja errado

Talvez esse seja o erro

 

Queria viver de certezas

E ter uma vida normal

Queria acreditar em religião

Queria ser alienado e não ver esse mundo

Não pensar no outro

Ser injusto e dormir

Esnobar e vencer

Mas não sou do tipo certeza

Sou talvez

Isso me mata.

Escrito por ricardo às 14h44
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CAMINHO

Estou procurando um caminho

Desses que não tem pedras nem espinhos, nem bifurcações

Estou cansado de tantas dúvidas, de tantas escolhas

Sinto-me preso

Carcereiro das dúvidas

Sem sinalização

Sem mapas

E sem saber direção

 

Viciado na indecisão e dependente químico das opções

Busco um tratamento de choque

Que eletrifique os neurônios

E anime o inconsciente seletivo

Produzindo frases d’efeitos

Para enganar as estantes

Descritas nos livros da memória

Como a fonte de toda sabedoria

 

Sabes tudo. Diz-me aonde ir.

Escrito por ricardo às 14h33
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Enquanto

Enquanto vejo e saio

Não falo

Sobre o cabo ou o vazio

E no mar apenas observo

O ar

O sal

A pele

E estendo um olhar submerso

Tranqüilo e verdadeiro

De impossibilidades previsíveis.

 

Ao contrário do que se imagina

A luz vem de dentro

Acesa e invisível

Incomoda e invade a retina

A invertida imagem

Que se aloja na caixa

Misteriosa e enigmática

Sem licença

Sem pudor

Sem lógica nenhuma

Só guarda

Memórias lixos

De serventia oculta

E de possibilidades imprevisíveis.

Escrito por ricardo às 11h42
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12.3.2009


APARÊNCIAS

 

As aparências distorcem a verdade nuacrua

As faces enganam os olhos desatentos abertocego

Adivinhação, leitura de pensamento, interpretações de estacionamento.

A incompetência ignorante da realidade.

Liquidificada por um

Todos certos, um errado

Ignorantemor

A surdez conveniente e embolsada

Inibe e justifica o medo

Na confusão da pseudoamizade

Um mudobediente com orelhas desatentas

Usa a língua cega de argumentos

Para submeter-se ao ataque de vontades

Sem fundamentos, princípios e noções mínimas

Da coisa exposta, explícita, óbvia.

Presentempo.

Que é agora e só

Hoje e só.

E amanhã?

Triste é ver o túnel sem luz no fim

Amarguragora

Tatuada na expressão

Por gritar no vácuo

Sem retorno

Nem futuro.

 

 

Escrito por ricardo às 17h40
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19.2.2009


PODER

Poder para podar

Poder

Por vir

Por ir

Por aventurar, livre

Por fazer

Por querer

Por não, sim

Pôr fim. Por nada

Em tudo que

Por sinal

Não pode

Conter

Por Deus!

Poder?

Escrito por ricardo às 14h49
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6.2.2009


Retorno

Distante

Longe das palavras

Fiquei vazio e dolorido

Uma azia corroia meu cérebro

E deixava a boca seca

As pálpebras trêmulas

E uma paralisia inexplicável nas mãos

Sinto na pele a ausência

Nos dedos o formigamento

Na tela o branco oco irrita,

Coça a memória, a experiência e o inconsciente

Em busca da observação perdida

Num mar tempestivo

De idéias revoltas

Sem conclusões e soluções

Definitivas.

Escrito por ricardo às 19h12
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28.2.2008


Trapézio

 

Vai e vem

Num movimento constante

Mãos na haste

E o corpo solto no ar

O sangue nos pés

Lateja e esquenta os dedos

Viciados entre o teto e a serragem

A sola sem cava e fria

Reconhece a corda

Estranha o chão

E calcula cada passo

Cada salto

Cada milímetro da vertigem

Crescente de ponta-à-cabeça

A gravidade e o respeito

A queda e o efeito

Uma vida inteira

Num milésimo de segundo

O baque, a luz

A platéia, o som

O susto, o trauma

Do alto

O Fim.

 

Escrito por ricardo às 09h52
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26.6.2007


SEM INSPIRAÇÃO

Sem inspiração, a saída é vegetar nas palavras

Para dar vida ao improviso

Sem inspiração alguma, escrever corrói

Para fazer sentido sem ter

Escorrem bobagens e a polpa desmancha

Como o gelo no sol

Essência: nenhuma

Possibilidade: alguma

O cotidiano inverte prioridades

Engessa o raciocínio acostumado a ferver

De letras e frases dançantes

Num ritmo enlouquecido e desordenado

Ideal de experiências inéditas

Sem padrão ou algema escolar

Indisciplinado e exausto.

O suor do calor e da tempestade

Nos vidros embaçados

A rua fica turva e a nova prisão

Antes casa, assume a cor da TV

Falsa furta cor que engana

E não nos deixa pensar

Sozinhos.

Escrito por ricardo às 21h50
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2.9.2006


Separe as múltiplas escolhas da única saída. Logo depois espalhe sobre a mesa como cartas, e as estude uma a uma. Minuciosamente. Decididamente confuso com as possibilidades, sinta-se atraído distraído, como aquele que tem a faca e o queijo na mão e não consegue cortar. Ao alcance das mãos as ferramentas, a matéria, as medidas. Longe das mãos a cabeça, os pés, a habilidade do convívio. Como um bicho do mato, que vive na floresta e se esconde na toca. Não carnívoro, nem predador. Bicho quieto, pacífico, mas não domesticável. Suas leis são antigas, mas justas e contra as da selva, que se corrompeu e encontrou na força o melhor meio de se impor. Mas a força se acaba, os músculos envelhecem e os movimentos ficam desorientados.

Coloque de novo as cartas sobre a mesa, saia da toca, vá ao topo da árvore e veja a floresta do alto. Imponente, misteriosa, surpreendente, bela, traiçoeira. A natureza. A natureza dos bichos, do homem. Instinto. Somos bicho, usamos a força para impor e o raciocínio para corromper. Com um artifício de papel estampado inventado para funcionar como sinônimo de felicidade.

Escrito por ricardo às 21h46
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26.6.2006


ESTRADA ESTADA

 

Difícil enxergar longe

Quando a neblina

Deixa a estrada turva

De intenções e desvios

Quando o asfalto ignora

O atrito e desliza supremo

Sobre as linhas imaginárias

Quando os sinais e as placas

Desmarcam as curvas e proíbem a passagem

Dos que não vão para o outro lado.

Quando a direção é desconhecida

E a surpresa é uma rotina

Para o ultimo o dia

Quando a velocidade sem radar

Reduz a distância das nuvens

Do chão, da areia e da dor.

Quando os cacos de vidro

Perfuram a pele avermelhada

E rasga a esperança da garagem final

Quando acenderemos a luz baixa

Dos faróis de milha

Que nos faz ver

Como habitantes da estrada permanente

E na viagem sem volta da vida.

Escrito por ricardo às 16h04
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22.6.2006


A chegada do fim

Escancara os olhos.

Sem vê o chão

Um passo a frente

Leva-o a baixo

Ao abismo profundo,

Invisível e indecifrável.

O vento na cara

Os braços abertos

O abraço e o impacto

E o flutuar

E o arrependimento de lutar

Com amor e sem recompensa

De peito escancarado

E coração à mostra

Expondo a vida pulsar

Excluindo o eu

Para viver um sonho.

Imbecil.

Sonho não se vive.

Sonho não existe.

Sonho acaba.

Ao acordar surge o mundo

O tempo, o homem e a realidade.

Pesadelo é viver acordado

Com os olhos fechados.

Escrito por ricardo às 07h50
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16.6.2006


Sou Vetor

Sou apenas vetor
De confusões sem gravidade
Pairando sobre as cabeças
Abertas e sem filtro

Sou apenas torneira
Que jorra água interpretada
Molhando os ouvidos
Abertos e sem filtro

Sou apenas colírio
Que dilata a pupila
Limpando os olhos
Abertos sem lentes

Sou apenas matéria
Que não sou onde estou
Andando no mundo paralelo
Aberto sem portas.

Escrito por careca às 08h57
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10.6.2006


Mesmamente

O começo é o mesmo
O final é sempre o mesmo
Sonhadores de realidade
Morrendo na praia
Ilusionistas de rotina
Presos a velocidade das mãos
Gênios da mesmice
Escondidos em lâmpadas queimadas,
Salvadores da virtude
Expostos aos defeitos do poder
O mesmo ser humano
O ser mesmo
O ser
O mesmo
O mesmo ser
A mesma mente
O começo

Escrito por careca às 10h50
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